7 de abr. de 2010

eis a questão

Uma breve sensação de ser infinito, de ser ar, gravidade, matéria, energia, livre, planar sobre ondas sonoras deixando um rastro de luz e uma impressão digital a cada mudança de compasso. Se libertar do eu, se libertar do corpo, ser alma ou qualquer coisa que você atribua à presença, estado, sentido, existência.
Ar da noite, quanto mais frio mais real, vento cortante, estimulante, pulso que acalma e dispersa os sentidos, liberta, revoluciona!
Revolução interna, sem sangue. Ebriedade vinda direto do gargalo que é o centro nervoso, entorpecido com o peso da não necessidade de se processar informações. Não processe, não entenda, só esteja lá, esteja aqui, em todos os lugares, em todos os sons e em todos os ventos. Tudo.

3 de abr. de 2010

soco

Depois que se lê duas páginas de um livro (pago uma cerveja pra quem, até o final do post, adivinhar qual) e percebe-se que não faz a menor idéia do que acabou de ler, ai sim que fica nítido como a imagem dela simplesmente não consegue deixar sua cabeça. Porque ela é linda, tem um toque lindo que ecoa até o fundo da alma. Toque. Tenho uma fome insaciável por tocar e ser tocado em todos os lugares que as mãos alcançam, e ela tem o modelo mais tocável de corpo que eu consigo imaginar.
‘a sensualidade é a mobilização máxima dos sentidos: observa-se o outro intensamente, procurando captar seus menores ruídos’

Quando leio sinto como se trilhas novas estivessem sendo abertas na selva dos meus pensamentos, como que para facilitarem a chegada a um entendimento comum. Algo do tipo.

Também queria entender por que sempre que leio algo em primeira pessoa, ou em terceira, mas numa narração que cave fundo nos motivos, é absolutamente impossível para mim sentir qualquer tipo de antipatia pelo personagem.

Entendo muitas coisas, e isso me confunde e me assusta, porque quando entendemos é possível ou imprescindível que, em algum nível, nos relacionemos com o que nos faz sentido. Então acho que concluo que tenho muitas, muitas coisas dentro de mim, que só recebem atenção quando são atiçadas por um fator exterior, como por exemplo, a leitura de algo que pode se tornar uma verdade própria.

‘a beleza por engano é o último estado da história da beleza.’ Não sei se concordo.

Afinal, eu concluo que, se não fosse ela, quem mais seria? Tem coisas que se encaixam e se completam, se remodelam em alguns pontos mas mantém a essência para continuar a execução (no sentido de fazer acontecer) da influência.

E é fato que o que nos empurra e nos leva à evolução ou glória ou qualquer outra coisa geralmente vista como positiva, é a atração pelo desconhecido. Porque não sabemos como é ser herói e nem como é ser feliz. Procurarmos conhecer tudo o que nos é mencionado, e é isso que faz as coisas mudarem. E é por isso que eu amo.

semi bloqueio

É difícil produzir alguma coisa meramente criativa quando a sua mente só tem uma coisa em pauta, juro. Mas, divaguemos:
Apoio a teoria de que o seu estado de espírito em um dia já está decidido mesmo antes de você acordar. Hoje, por exemplo: o primeiro som captado pelos meus ouvidos foi o barulho da chuva, o que já criou uma atmosfera específica e uma certa relutância quanto a sair da cama. Nesse momento, percebi que o dia seria regado a preguiça e vontade de ficar em casa ou, no máximo, encontrar alguém para ver um filme. E tudo bem, sabe. Do mesmo jeito que praia combina com sol, São Paulo combina com chuva e chuva combina com preguiça que combina com domingo, e eu sei que hoje é sábado, mas o sentimento não condiz.
A noite me chamou, mas é que.. eu tou tão bem aqui, tão seco e quentinho, sabe? Que coisa de velho, parei de escrever.

1 de abr. de 2010

a teoria das coisas

É como eu disse: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. E a coisa mais legal é que agora muito mais coisas fazem sentido pra mim, incluindo musiquinhas bobas de amor e clichês do tipo, porque agora ela é parte da minha vida, parte de mim e peça central do meu bem estar.
Tou feliz, de verdade, e por enquanto é tudo o que eu consigo expressar (:

23 de mar. de 2010

respirar.

Correu, cambaleou, socou o vento, chutou a pedra
Correu, perdeu o ar, gritou, parou.
Levou as mãos à cabeça
E fez um gesto como se quisesse arrancar tudo o que lá jazia
Se apoiou nos joelhos, fiéis joelhos, sempre apoiáveis;
Numa breve meditação, fez passar a dor.
E tentou se lembrar por que estava correndo
Não conseguiu.
E foi aí que percebeu
Que pela primeira vez em sua vida
Havia parado de correr.

22 de mar. de 2010

shut

É que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa e nenhuma coisa é o que é a minha cabeça, antes abarrotada de lixo, depois de duas horas de caminhada dando voltas e mais voltas pelos quarteirões, sem nenhuma vontade de chegar ao suposto destino.
E a coisa que resta é a simples existência que só é lembrada pela dor que começa a se manifestar nas pernas e nos pés, mas quem liga. Abre a boca e sente a chuva, cara. Sente a noite. E depois disso, encontre uma praça e se sente no banco pra ouvir a cidade vibrando. Faz bem, juro que faz.
Have you ever felt free?

21 de mar. de 2010

devaneio das 2 da manhã

casue living is hazard if you dont fit the standard
biologically out of the possible manageable
so they all just try to cut out the rotten
leaving the parts that soon will be forgotten
cause it's easier like that, just stick with the past
reject all the new and the creative boom
forget 'bout the essense of the beauty of present
and support the fate of the so wanted doom

but no, not i
i will release the tension
and i will fight the so called salvation
cause souls werent meant to be saved
souls were meant to fly, souls were meant to create
never to beg for oh my god's sake

so if you're hearing this, just remember
if you are what you are and you're sure of it
if your doubts fly out like the summer
and your thoughts fly free like a stoner's
dont ever let them put you down
dont ever let them try to cover your face
and forget your real name
so say this out loud
say this like you're proud;

i do have my shit but i can live with it
i not only survive, i know that i'm alive
and because of that i can assure
shit feels better than a pot full of gold
if it allows you to live without hiding soul.

10 de mar. de 2010

basicamente

Aquele tipo de pessoa que pensa demais, fala demais e não se preocupa direito.
Que mantém um vício insaciável em música porque é a única coisa que faz sentido e combina com o que quer que seja, até com a sua própria confusão interna. Aquele tipo de pessoa que gosta de muitas coisas ao mesmo tempo e se confunde inteira e fica toda enrolada, correndo de uma estrela cadente para outra até desistir. Que também mantém um vício em literatura sustentado pela esperança de encontrar alguma linha que mostre uma verdade que esclareça uma verdade própria. Que quer sentir e fazer sentir o que quer que seja, da dor mais intensa ao amor mais sincero.
E que, como Sal Paradise, a única conclusão que consegue julgar plausível é que não tem nada a oferecer a ninguém, a não ser sua própria confusão.

4 de mar. de 2010

hazy, hazy, hazy..

Eu ando postando loucamente porque minha mente anda rodando nesse ritmo alucinante, enlouquecedor e, por mais estranho que pareça, não tão confuso como deveria.
É, eu sei lá. Não consigo parar de pensar, não consigo parar de me mexer, de absorver, de tentar entender. Tem uma bola de energia deslizando por dentro de mim e despertando coisas e questões que eu já considerava resolvidas. Nem sei do que que eu tou falando. Ta tudo muito louco, muito estranho. Tou sentindo falta de muita coisa idiota. Acho que eu sou uma criatura de hábitos mesmo. Quando tudo muda eu sinto que também preciso mudar, mas eu não queria fazer isso agora. Porra. Acho que é por isso que eu continuo fazendo o mesmo caminho de volta pra casa, mesmo ele sendo idiota agora. Mas eu não ligo de andar mais, me da um gosto de familiaridade. Ah.
É que eu não sei o que eu quero, nem sei pra que ponto eu gostaria de voltar, nem porra nenhuma. Não gostei do resultado, mas também não era feliz do jeito que era antes. E isso me assusta, cara, porque não quero ficar nessa situação que me faz perder a vontade de ter vontade, e eu já percebi que seria muito fácil cair nela agora.
Não sei mais o que falar porque não sei mais o que eu quero..
Não quero nada.

playground

Noite esverdeada.
Toda luz toma forma de estrela
Joga a cidade das cores na psicodelia.

Tudo acontece e ninguém pára
E um encontro de retinas
Tem que ser o suficiente pra descarregar na mente
O impulso de correr
Ou de ficar pra aprender.

O caos vicia.
Vicia e alucina
A noite vibra, imparcial
Nunca se pára
Não se fica sozinho
Se é.

2 de mar. de 2010

correção

sinceramente? é tudo mentira.
continuo na mesma merda.

permitir

Eu escrevo sempre sobre sentimentos porque os considero a coisa mais apreciável da vida. Meio gay, mas é verdade. É que na ausência deles, tudo se torna insípido, demasiado simples e todo mundo sabe que eu tenho uma capacidade admirável de apreciação pelo complicado.
Mas a questão é que agora minha mente e meus sentimentos fizeram as pazes e as coisas estão fazendo mais sentido. Atribuo isso à minha recente decisão de me deixar pensar no que eu sinto, ao invés de simplesmente sentir. Só sei que os dois formaram um bom par, e a complexidade por si só está começando a mostrar sua face mais compreensível.
É como eu disse no outro post; por enquanto eu só quero me entender, pra depois me resolver. Só que para que isso aconteça, estou tendo que me permitir a análise mental de muitas coisas que antes me assustavam, e ainda assustam. Mas que opção eu tenho se esse se mostrou o único caminho eficiente pra desatar o nó formado por todas as coisas que estavam me fazendo parar de sonhar?
Já comecei o processo de encarar o mundo, com a cara exposta a tapa. Agora é a hora de me encarar, do mesmo jeito mas com um tipo de julgamento muito mais difícil de ignorar: o meu.

26 de fev. de 2010

the fuckedupness of life and the beauty of it

Cause it does exist, you know.
Something like a fucking freakshow
Like it adds sense to the whole thing
Not having something to worry about really fucks the head up
I’ve been there, I tried
Doesn’t work for me
I need some shit, some problems to solve
I need a bad girl, some drugs to revolve
I have a huge problem with tranquility
I feel alone when I’m stuck in it
But I feel alone all the time so what’s the difference anyway.
At least when I have something to care about
It seems like it cares about me too
Like it chases me
Like it wants to fuck me up
And I kinda let it
Just so I have something to fight
To fight back, to have a reason to do so
I’m a troublemaker, I’m a troubleseeker
Sometimes it feels I don’t even ever want to be ok
It gets BORING
It’s shit.
So I seek not for happiness
I seek for action
I seek for anything that makes me want to fight
And I dunno if it’s my fault if I only want to struggle
For what fucks the shit out of me.
More exiting, something like that.
I have no fucking idea
Cause my mind is all fucked up
And I somehow seem to like it.
Fucking masochist.
Just look at the kid, enjoying the pain of being in pain.
How fucked up are you anyway.





dessa vez fluiu mais fácil em inglês.

23 de fev. de 2010

pagar a conta do analista

"Gosto de muitas coisas ao mesmo tempo e me confundo inteiro e fico todo enrolado correndo de uma estrela cadente para outra até desistir. Assim é a noite, e é isso que ela faz com você. Eu não tenho nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão."
- Jack Keuroac.

Uma das coisas que sempre salvam momentos de desconforto pessoal é a lembrança de algo tão pertencente a você que, por pior que te faça sentir, traz uma sensação já conhecida, conseqüentemente te jogando num tipo de lugar onde tudo faz sentido.
E acho uma pena que a lembrança que me cause esse efeito me dê tanta raiva, de mim, de tudo.
E lá vai mais uma das minhas contradições mentais: eu percebi que não adoto novos vícios ou emoções, eu simplesmente as troco. Então troquei um tipo de desconforto que ainda me é estranho por um velho inimigo, jurado de morte.
Afinal, o que eu quero dizer é: tem coisas que você ama odiar e odeia amar. Coisas que te fazem sentir bem só por senti-las, mesmo sabendo o quão mal elas fazem pra você.
Puro masoquismo emocional.

Acho que preciso de um psicólogo.

3 de fev. de 2010

silver

Cinco coisas que eu acho incrivelmente maravilhosas: o ar da noite (que é invisível para os olhos mas óbvio para o toque), lábios, pele, fumaça e sangue. Eu realmente gosto dessas coisas e poderia passar horas simplesmente contemplando-as.
Me sinto estranho. Não sei porque, só sinto. Ela. Não entendo por que. Mas ela me tem de um jeito indescritível, e quando eu digo indescritível não é uma simples hipérbole. Não tem ninguém que me faça assim, desse jeito estranho, nem que me coloque nessa posição de admirador das sutilezas contidas nos gestos, na voz, no olhar. Ahh, o olhar. Genial, incrível, tragando toda a minha atenção para o ponto onde se entrelaçam os rastros deixados pela intensidade da sua existência. É tão intenso, tão denso, tão absoluto. ela, eu, somos e formamos algo tão complexo, ao ponto no qual se torna compreensível simplesmente desistir de entender. Porque temos tudo para nos tornarmos personagens principais de um romance de Shakespeare, um tipo de versão distorcida de Romeu & Julieta, mas sem o beijo e o toque que dão sentido à coisa toda. Algo incrível, maravilhoso, doloroso, mas que eu me jogo dentro sem medo de sentir o que tiver que sentir, e me distraio passivo, aceitando e, de certo modo, venerando o fato de que o toque seria destrutivo à toda a nossa – citando Milan Kundera - (in)sustentável leveza de ser.