E eu juro que não entendo
Como que, mesmo me entorpecendo
Ela me faz tão assim, eu.
E mesmo sob uma tonelada de nós
Continuo sendo um eu só meu.
23 de set. de 2010
15 de set. de 2010
reflexo com delay
Ok, vamo lá
Mil e uma razões e nonsenses depois, eu me percebo em cima dum skate a 40km/h, descendo a Av. Brigadeiro Luiz Antonio ouvindo qualquer banda dos anos 90 e flutuando, por um ou dois segundos, sem a menor preocupação quanto ao ônibus (biarticulado) que descia adoidado logo atrás de mim. E no terceiro segundo bateu um desespero, ainda mais quando eu olhei pra frente e vi um belo de um buraco no asfalto a menos de dois metros na minha frente. Nessa hora que eu, ou melhor, meu corpo, se jogou pra calçada e minha mente hesitou antes de me deixar salvar o skate de uma morte certa. Mas depois quando da tudo certo e bate aquela sensação de ‘caralho’, só o que resta contemplar sua falta (ou excesso) de amor pela vida.
E falando nisso, ando sentindo umas coisas meio estranhas. É que, de certo modo, me encontro num momento de completa paz e harmonia com o meu ser, e isso parece estar me levando a um distanciamento, ou melhor, peneiramento de quem eu quero perto de mim. Mas não do jeito que era antes. Antes eu escolhia as pessoas que eu achava “descoladas” o suficiente para ficarem perto de mim, e não porque eu me sentia assim, mas porque eu queria me sentir assim. Eu me importava tanto com o que pessoas que, hoje eu vejo como são vazias e imbecis pensavam, que as suas opiniões se tornavam minhas próprias. Coisa de ego adolescente babaca, sei lá. Mas ultimamente eu ando escolhendo pessoas que podem me ensinar alguma coisa sobre qualquer coisa e, de preferência algo que eu possa levar pra vida. Só que, percebendo isso, eu comecei a sentir uma raiva tão grande de como era antes, que comecei a questionar todo o embasamento do meu ser e o por que de toda essa merda. Algumas filosofias bem pesadas, na real; a ponto de eu me olhar de fora e não me reconhecer, e ficar com um medo muito honesto disso.
Sinto que alguma coisa desencadeou uma honestidade irrepreensível em mim, e eu não consigo mais mentir sobre quem eu sou. E CARALHO, mano. Isso é muito importante pra mim, porque uma sensação incomoda, tipo aquela etiqueta na lateral de uma camiseta, de ‘i’m a fake’ me cutuca a anos.
É como se muita coisa estivesse fazendo sentido agora que eu faço sentido, sabe? Minha mente nunca trabalhou tão rápido e nunca respondeu tantas questões em tão pouco tempo quanto agora que eu praticamente eliminei ou simplesmente descartei meus conflitos pendentes.
Sei lá cara. Eu tou tão bem, mas de um jeito que talvez não seja muito reconhecível. É que eu tou pensando demais, só que dessa vez não é ruim! Então se você me vir olhando pro nada ou descendo uma rua de skate sem ligar pra merda nenhuma, me deixa. Eu tou bem. Juro que tou.
Mil e uma razões e nonsenses depois, eu me percebo em cima dum skate a 40km/h, descendo a Av. Brigadeiro Luiz Antonio ouvindo qualquer banda dos anos 90 e flutuando, por um ou dois segundos, sem a menor preocupação quanto ao ônibus (biarticulado) que descia adoidado logo atrás de mim. E no terceiro segundo bateu um desespero, ainda mais quando eu olhei pra frente e vi um belo de um buraco no asfalto a menos de dois metros na minha frente. Nessa hora que eu, ou melhor, meu corpo, se jogou pra calçada e minha mente hesitou antes de me deixar salvar o skate de uma morte certa. Mas depois quando da tudo certo e bate aquela sensação de ‘caralho’, só o que resta contemplar sua falta (ou excesso) de amor pela vida.
E falando nisso, ando sentindo umas coisas meio estranhas. É que, de certo modo, me encontro num momento de completa paz e harmonia com o meu ser, e isso parece estar me levando a um distanciamento, ou melhor, peneiramento de quem eu quero perto de mim. Mas não do jeito que era antes. Antes eu escolhia as pessoas que eu achava “descoladas” o suficiente para ficarem perto de mim, e não porque eu me sentia assim, mas porque eu queria me sentir assim. Eu me importava tanto com o que pessoas que, hoje eu vejo como são vazias e imbecis pensavam, que as suas opiniões se tornavam minhas próprias. Coisa de ego adolescente babaca, sei lá. Mas ultimamente eu ando escolhendo pessoas que podem me ensinar alguma coisa sobre qualquer coisa e, de preferência algo que eu possa levar pra vida. Só que, percebendo isso, eu comecei a sentir uma raiva tão grande de como era antes, que comecei a questionar todo o embasamento do meu ser e o por que de toda essa merda. Algumas filosofias bem pesadas, na real; a ponto de eu me olhar de fora e não me reconhecer, e ficar com um medo muito honesto disso.
Sinto que alguma coisa desencadeou uma honestidade irrepreensível em mim, e eu não consigo mais mentir sobre quem eu sou. E CARALHO, mano. Isso é muito importante pra mim, porque uma sensação incomoda, tipo aquela etiqueta na lateral de uma camiseta, de ‘i’m a fake’ me cutuca a anos.
É como se muita coisa estivesse fazendo sentido agora que eu faço sentido, sabe? Minha mente nunca trabalhou tão rápido e nunca respondeu tantas questões em tão pouco tempo quanto agora que eu praticamente eliminei ou simplesmente descartei meus conflitos pendentes.
Sei lá cara. Eu tou tão bem, mas de um jeito que talvez não seja muito reconhecível. É que eu tou pensando demais, só que dessa vez não é ruim! Então se você me vir olhando pro nada ou descendo uma rua de skate sem ligar pra merda nenhuma, me deixa. Eu tou bem. Juro que tou.
8 de ago. de 2010
move along
Se tem uma coisa que me deixa muito na pilha de acordar todo dia é a perspectiva de pensar e relacionar coisas novas. E isso fica muito, muito mais legal quando você acelera esse processo de entendimento da vida e da morte (e tudo o que tem no meio) através da troca de idéias (e tente levar essa expressão no sentido mais literal possível) com pessoas de todos os tipos, ou que tem pelo menos algo em comum, nesse caso, o sobrenome e a certeza da morte. E essas duas coisas, a primeira que fez com que nós passássemos essa tarde de domingo juntos e a segunda que gerou toda, ou quase toda, a base da conversa, me provocaram um sentimento tão real que não consegui conter o impulso de ouvir música alta e pensar em como tudo faz tanto sentido. Porque foi hoje, e só hoje, que eu percebi como fazer parte dessa família me fez quem eu sou. É como fazer parte de algo secreto, de um jeito muito estranho que faz a gente se relacionar com o mundo, e cara, esse jeito como eu me relaciono com o mundo me faz bem demais. E através de todas essas brisas intensas, me identifiquei com algo maior (mas nem tão grande, o que é ainda melhor. Afinal, se relacionar com algo grande demais não é tão verdadeiro.), algo que me deixou ainda mais na pilha de ficar na pilha de acordar todo dia.
E mesmo falando de morte, senti uma apreciação tão grande por estar vivo hoje. E ontem e anteontem. Esse final de semana foi emocionalmente intenso da melhor forma possível, mesmo. Antes dele eu não sabia que dava pra chorar de amor (não por amor.).
Caralho, caralho.
É que a coisa toda não é só sobre otimismo, pessimismo, realismo ou qualquer ismo. A coisa toda é sobre algo que, talvez por sorte, ou por não ter um antônimo, escapou da conceituação, então virou simplesmente um fato. É o simples ser e estar, ou só ser e não estar, ou só estar e não ser. Mas eu sou e estou e isso vale tanto a pena, cara.
Eu tão tão bem e tão vivo que me assusta um pouco.
Sinto tudo, gosto de sentir tudo, não trocaria por nada. afinal, eu tenho 17 anos.
Sei lá, sei lá.
Dizem que, conforme você cresce, as coisas perdem a graça. Pra mim não. Continuo me empolgando com absolutamente tudo, incluindo a própria perspectiva da empolgação.
Seria absurdo dizer que não sinto medo do que ta pra vir, mas na real, nada faz muito sentido se não der medo.
Move along, move along just to make it through.
E mesmo falando de morte, senti uma apreciação tão grande por estar vivo hoje. E ontem e anteontem. Esse final de semana foi emocionalmente intenso da melhor forma possível, mesmo. Antes dele eu não sabia que dava pra chorar de amor (não por amor.).
Caralho, caralho.
É que a coisa toda não é só sobre otimismo, pessimismo, realismo ou qualquer ismo. A coisa toda é sobre algo que, talvez por sorte, ou por não ter um antônimo, escapou da conceituação, então virou simplesmente um fato. É o simples ser e estar, ou só ser e não estar, ou só estar e não ser. Mas eu sou e estou e isso vale tanto a pena, cara.
Eu tão tão bem e tão vivo que me assusta um pouco.
Sinto tudo, gosto de sentir tudo, não trocaria por nada. afinal, eu tenho 17 anos.
Sei lá, sei lá.
Dizem que, conforme você cresce, as coisas perdem a graça. Pra mim não. Continuo me empolgando com absolutamente tudo, incluindo a própria perspectiva da empolgação.
Seria absurdo dizer que não sinto medo do que ta pra vir, mas na real, nada faz muito sentido se não der medo.
Move along, move along just to make it through.
2 de ago. de 2010
animal backwards
E olha só pra mim, sentei aqui com o simples propósito de escrever qualquer coisa que eu julgasse honesta, achei a música certa e, quando ia abrindo o blog, me mandam um link de um joguinho besta que, por conta da minha auto-competitividade, me tirou uma hora de vida. É foda.
Então digamos que, uau. Faltam 3 meses pra eu me tornar maior de idade, oun, coisa fofa. O caralho, por mim continuava com 17 anos pelo resto da minha vida, mesmo se tivesse que enfrentar um puta conflito entre minha vontade de viver e experimentar tudo o que a vida tem a oferecer e minha vontade de ficar bem e ficar igual quando tudo ta bem e maravilhoso e uau. Além do que, qual é a graça em fumar e beber quando não é mais ilegal?
Acabei de perceber que esse ultimo parágrafo rimou quase inteiro.
Mas eu queria escrever qualquer coisa honesta né, então vamos lá.
Pra falar a verdade, ando meio que sei lá, perigando entre diversos extremos da minha personalidade meio que intencionalmente fragmentada. Nem sei se ‘extremos’ e ‘diversos’ podem ser colocados na mesma frase, mas é assim que eu tou me sentindo. Também não sei se isso é bom ou ruim, mas é assim que eu tou me sentindo. Só que o foda é que nessas danças internas aleatórias, perco meu poder de concentração, minha mente fica tipo ‘ela, ela, ela, texto incompleto, baseado mal fumado, brisa leve-intensa, música, música, música, uau, cores, uau...’ sendo que a fragmentação intencional da minha personalidade só foi intencional porque eu queria evitar esses devaneios. De vez em quando me encontro olhando pro mesmo ponto por minutos intermináveis, como se tivesse um cabo dentro da minha cabeça procurando algum lugar em que encontrasse o perfeito encaixe. Fico assim até alguém estalar o dedo na minha frente ou chamar meu nome, nunca achando o tal buraco perfeito, e aí que é foda. Eu fico me sentindo um zumbi fora de sintonia. Parece que o que eu tou vivendo não é de verdade, saca? Sei lá.
E agora me encontro com três opções de conclusão pra esse texto:
1- lição de moral ligeiramente hipócrita sobre como não é possível se fragmentar ou
2- foda-se, uma hora faz sentido ou
3- pedido de receita pra Ritalina.
Vou com a 2 por puro hábito. Sempre chuto a do meio nas provas.
Então digamos que, uau. Faltam 3 meses pra eu me tornar maior de idade, oun, coisa fofa. O caralho, por mim continuava com 17 anos pelo resto da minha vida, mesmo se tivesse que enfrentar um puta conflito entre minha vontade de viver e experimentar tudo o que a vida tem a oferecer e minha vontade de ficar bem e ficar igual quando tudo ta bem e maravilhoso e uau. Além do que, qual é a graça em fumar e beber quando não é mais ilegal?
Acabei de perceber que esse ultimo parágrafo rimou quase inteiro.
Mas eu queria escrever qualquer coisa honesta né, então vamos lá.
Pra falar a verdade, ando meio que sei lá, perigando entre diversos extremos da minha personalidade meio que intencionalmente fragmentada. Nem sei se ‘extremos’ e ‘diversos’ podem ser colocados na mesma frase, mas é assim que eu tou me sentindo. Também não sei se isso é bom ou ruim, mas é assim que eu tou me sentindo. Só que o foda é que nessas danças internas aleatórias, perco meu poder de concentração, minha mente fica tipo ‘ela, ela, ela, texto incompleto, baseado mal fumado, brisa leve-intensa, música, música, música, uau, cores, uau...’ sendo que a fragmentação intencional da minha personalidade só foi intencional porque eu queria evitar esses devaneios. De vez em quando me encontro olhando pro mesmo ponto por minutos intermináveis, como se tivesse um cabo dentro da minha cabeça procurando algum lugar em que encontrasse o perfeito encaixe. Fico assim até alguém estalar o dedo na minha frente ou chamar meu nome, nunca achando o tal buraco perfeito, e aí que é foda. Eu fico me sentindo um zumbi fora de sintonia. Parece que o que eu tou vivendo não é de verdade, saca? Sei lá.
E agora me encontro com três opções de conclusão pra esse texto:
1- lição de moral ligeiramente hipócrita sobre como não é possível se fragmentar ou
2- foda-se, uma hora faz sentido ou
3- pedido de receita pra Ritalina.
Vou com a 2 por puro hábito. Sempre chuto a do meio nas provas.
3 de jul. de 2010
então quer dizer que
E sabe que ontem me ocorreu um troço curioso, tive até que parar pra rir comigo mesmo. Ontem fiquei com saudades de pensar. Tipo de coisa que não se sente, né. Mas eu senti. Uma verdadeira melancolia me atingiu quando eu percebi que não pensava a dias, ou talvez semanas! A ação calmante dos meus neurônios em atividade não forçada, ah uau, puro êxtase cara, puro êxtase. Me distraio muito facilmente, não concluo pensamentos, e isso é normal pra mim. Só que me parece que antes eu fazia algum esforço pra organizar tudo de um jeito deliciosamente pessoal e singular, e esse esforço parece ter sido sorrateiramente substituído pela inércia, que te leva, leva e te traz a ilusão de atalho, quando na verdade só te segura no ar, te deixa ali paradinho enquanto o resto das coisas se movem embaixo de ti.
O que eu senti falta mesmo foi de produzir qualquer coisa, nem que uma teoria mirabolante sobre a relação entre cadeiras de couro e lápis de cor, sei lá, sei lá, um bolo de maçã, sei lá.
Mas, é. Voltei pra casa, me acalmei (não que eu estivesse agitado, o mundo que estava), tomei um chá de erva-doce (que esfriou rápido demais) e sentei pra pensar. Continuo sentado. Escrevi quatro textos e um poema, mas nenhum deles me satisfez. Tentei pintar um quadro mas as cores não estavam como eu queria. Tentei fazer uma música mas nenhuma nota encaixava. Investi em todas as áreas de produção pessoal que eu conheço, mas todas as vias estavam entupidas, o que me causou um leve desespero, como um medo de ter destruído a minha já fraca habilidade de me organizar e me exteriorizar em qualquer nível. Daí eu sentei pra escrever sobre isso, e veja só.
A única conclusão que eu consigo chegar é que, se eu não tivesse parado de pensar, não teria sentido saudades, não teria tido uma crise para escrever sobre e não teria produzido / exteriorizado nada, sabe-se lá por quanto tempo.
Ah, uau.
O que eu senti falta mesmo foi de produzir qualquer coisa, nem que uma teoria mirabolante sobre a relação entre cadeiras de couro e lápis de cor, sei lá, sei lá, um bolo de maçã, sei lá.
Mas, é. Voltei pra casa, me acalmei (não que eu estivesse agitado, o mundo que estava), tomei um chá de erva-doce (que esfriou rápido demais) e sentei pra pensar. Continuo sentado. Escrevi quatro textos e um poema, mas nenhum deles me satisfez. Tentei pintar um quadro mas as cores não estavam como eu queria. Tentei fazer uma música mas nenhuma nota encaixava. Investi em todas as áreas de produção pessoal que eu conheço, mas todas as vias estavam entupidas, o que me causou um leve desespero, como um medo de ter destruído a minha já fraca habilidade de me organizar e me exteriorizar em qualquer nível. Daí eu sentei pra escrever sobre isso, e veja só.
A única conclusão que eu consigo chegar é que, se eu não tivesse parado de pensar, não teria sentido saudades, não teria tido uma crise para escrever sobre e não teria produzido / exteriorizado nada, sabe-se lá por quanto tempo.
Ah, uau.
15 de jun. de 2010
não tanto
Há tempos não me pegava sentindo esse misto de nostalgia e apreciação pelo o que já senti em pausas dramáticas de vivência. Lendo sobre as meninices de um amigo velho, que, como eu, não sabe direito como ficar velho, me pus a escrever para ver se consigo manter esse sentimento planando ao meu redor por mais algum tempo.
E eu poderia (e se tivesse um pingo de amor pela facilidade, o faria) simplesmente descrever o que fazíamos naquelas tardes, mas éramos só garotos que faziam o que todos os outros garotos faziam. E não pense que eu pretendo mostrar como éramos diferentes ao falar sobre o outro lado daquelas tardes. Como eu disse, só quero manter esse sentimento planando ao meu redor mais um pouquinho, porque um pouco de melancolia nostálgica nunca machucou ninguém.
Éramos quatro, (ou cinco? Não lembro. Só sei que às vezes éramos três.) e mesmo no ápice do verão, não tirávamos nossos casacos e fazíamos o possível para não tirarem nossos gorros. E não sei por que falei das tardes, porque não era só à tarde. Aos onze anos, a noite já nos seduzia, e a manhã servia de desculpa para nos unirmos publicamente em segredo. As tardes eram só tardes.
Mas o que me fascina e me deixa nostálgico não é a falta de preocupações, porque eu confesso que as tinha em número muito maior do que tenho hoje. Eu não achava aquele momento mágico nem nada, na verdade eu achava tudo uma merda. Éramos quatro garotos e garotas que se esforçavam ao máximo para serem estranhos, culpando tudo e todos por seus corações juvenis partidos, entre si, pela primeira vez. Já com essa idade, sabíamos que não havíamos nascido para ficarmos sóbrios. Luzes piscantes, música alta e açúcar, era só até onde conseguíamos chegar. Depois vieram as tentativas de queimar folhas diversas, então a cerveja e a erva. Mas isso foi só depois. Aprendemos, desde cedo, a arte da manipulação através de sentimentos forçados, ou talvez nem tão forçados assim. Nós não queríamos ser parte de nada, e, através disso, nos sentíamos parte de algo muito maior. Mas isso não melhorava nada. Continuávamos achando tudo uma merda.
Não sei como nem quando essa sensação passou, mas me pareceu ser exatamente quando ela atingiu o resto das pessoas. Não sei se crescemos rápido demais, acho que não. Na verdade sinto que só trocamos a ordem das coisas.
Porque, hoje em dia eu quero mais é brincar.
E eu poderia (e se tivesse um pingo de amor pela facilidade, o faria) simplesmente descrever o que fazíamos naquelas tardes, mas éramos só garotos que faziam o que todos os outros garotos faziam. E não pense que eu pretendo mostrar como éramos diferentes ao falar sobre o outro lado daquelas tardes. Como eu disse, só quero manter esse sentimento planando ao meu redor mais um pouquinho, porque um pouco de melancolia nostálgica nunca machucou ninguém.
Éramos quatro, (ou cinco? Não lembro. Só sei que às vezes éramos três.) e mesmo no ápice do verão, não tirávamos nossos casacos e fazíamos o possível para não tirarem nossos gorros. E não sei por que falei das tardes, porque não era só à tarde. Aos onze anos, a noite já nos seduzia, e a manhã servia de desculpa para nos unirmos publicamente em segredo. As tardes eram só tardes.
Mas o que me fascina e me deixa nostálgico não é a falta de preocupações, porque eu confesso que as tinha em número muito maior do que tenho hoje. Eu não achava aquele momento mágico nem nada, na verdade eu achava tudo uma merda. Éramos quatro garotos e garotas que se esforçavam ao máximo para serem estranhos, culpando tudo e todos por seus corações juvenis partidos, entre si, pela primeira vez. Já com essa idade, sabíamos que não havíamos nascido para ficarmos sóbrios. Luzes piscantes, música alta e açúcar, era só até onde conseguíamos chegar. Depois vieram as tentativas de queimar folhas diversas, então a cerveja e a erva. Mas isso foi só depois. Aprendemos, desde cedo, a arte da manipulação através de sentimentos forçados, ou talvez nem tão forçados assim. Nós não queríamos ser parte de nada, e, através disso, nos sentíamos parte de algo muito maior. Mas isso não melhorava nada. Continuávamos achando tudo uma merda.
Não sei como nem quando essa sensação passou, mas me pareceu ser exatamente quando ela atingiu o resto das pessoas. Não sei se crescemos rápido demais, acho que não. Na verdade sinto que só trocamos a ordem das coisas.
Porque, hoje em dia eu quero mais é brincar.
10 de jun. de 2010
handlebars
É que o tempo se renova, e novo nem sempre empolga
Ou empolga demais, eleva tudo o que ainda não foi
Fazendo com que assim, quando de fato é
Não pareça ser.
Deixando uma esperança eterna no ar
Que leva à falta de ar
Que para de ser o que se respira.
E a repulsão à monotonia que o tempo sustenta faz com que ansiedade tome o posto de ar
Torna tudo empolgante mesmo quando não parece, ou deve, ser
Mas por enquanto
E só por enquanto
Não sou, mas estou
Muito, muito mais do que sou.
O que é o mesmo que dizer
Que a elevação ansiosa finalmente me levou à um lugar onde eu consigo me segurar e me manter.
Ou empolga demais, eleva tudo o que ainda não foi
Fazendo com que assim, quando de fato é
Não pareça ser.
Deixando uma esperança eterna no ar
Que leva à falta de ar
Que para de ser o que se respira.
E a repulsão à monotonia que o tempo sustenta faz com que ansiedade tome o posto de ar
Torna tudo empolgante mesmo quando não parece, ou deve, ser
Mas por enquanto
E só por enquanto
Não sou, mas estou
Muito, muito mais do que sou.
O que é o mesmo que dizer
Que a elevação ansiosa finalmente me levou à um lugar onde eu consigo me segurar e me manter.
24 de mai. de 2010
hey
Hey
Hey
Hey
Parei com tudo, juro.
em potencial?
heroína, mescalina, cocaína, benzedrina, ketamina, codeína,
metanfetamina e a velha eufemista morfina, sabe?
Pequeno morfino entorpecido
Há tempos só um pedaço porque
qual o sentido em dormir na inutilidade quando a plena consciência permite movimentos?
É que
Nada
Só um estado de alterego permanente
Me fiz e me destruí
Desenho tão bem alinhado
Me apaguei com cuspe
Corretivo mal aplicado e rabiscos pra garantir a posição de esquecimento definitivo
Pra me fazer ilegível até pra mim
Hey
Hey
Hey
Hey
Deficit de atenção com hiperatividade
E a diária dose lisérgica de todos os egos
E outra de qualquer coisa que possa ser apagada.
Lembrou?
Não, não, não, não, não.
E nem quero.
Nem ser nem estar
Nem sentir nem morrer
Difamei e ganhei o direito de re-definir o que é viver.
Hey.
Hey
Hey
Parei com tudo, juro.
em potencial?
heroína, mescalina, cocaína, benzedrina, ketamina, codeína,
metanfetamina e a velha eufemista morfina, sabe?
Pequeno morfino entorpecido
Há tempos só um pedaço porque
qual o sentido em dormir na inutilidade quando a plena consciência permite movimentos?
É que
Nada
Só um estado de alterego permanente
Me fiz e me destruí
Desenho tão bem alinhado
Me apaguei com cuspe
Corretivo mal aplicado e rabiscos pra garantir a posição de esquecimento definitivo
Pra me fazer ilegível até pra mim
Hey
Hey
Hey
Hey
Deficit de atenção com hiperatividade
E a diária dose lisérgica de todos os egos
E outra de qualquer coisa que possa ser apagada.
Lembrou?
Não, não, não, não, não.
E nem quero.
Nem ser nem estar
Nem sentir nem morrer
Difamei e ganhei o direito de re-definir o que é viver.
Hey.
19 de mai. de 2010
pulmonary archery
Tenho estados de espírito que podem ser canalizados em dois tipos diferentes de arte: música e escrita. Agora eu tou no canal musical então minha habilidade literária está meio reduzida. (então desculpa se isso fizer pouco ou nenhum sentido.)
Desenterrei minha guitarra e entrei no universo paralelo das ondas sonoras que podem ser sentidas na pele. Minha percepção quando faço música é algo tão aparte do meu estado de consciência habitual que devo parecer um maníaco, enquanto brinco com a infinidade de sons absolutamente mágicos que podem ser tirados de qualquer coisa. Não sei direito o que tanto me fascina a respeito da música, não sei mesmo. É como uma abdução cerebral que me leva até onde eu quero, é como um livro que me faz ser quem eu quero, sei lá. Música é energia que se sente em todas as partes e que coloca sintonia e ritmo nas ondas do pensamento. Sou viciado nesse ritmo, em qualquer ritmo, com suas variações súbitas mas totalmente previsíveis, que me dão uma sensação de calma por conseguir entender o porquê daquilo ser como é. Me faz bem demais, cara. Quero ouvir todos os sons do universo e combiná-los numa melodia perfeita, numa canção que te leve a um delírio tão infinito quanto a variedade de barulhos, mas que acabe assim que a próxima começar. A música me deixa preso ao presente mesmo que me lembre do passado, e isso me faz sentir seguro e aconchegado numa colcha de retalhos que, mesmo sendo tecida por algo que não se vê, causa uma sensação de conforto absoluto.
Desenterrei minha guitarra e entrei no universo paralelo das ondas sonoras que podem ser sentidas na pele. Minha percepção quando faço música é algo tão aparte do meu estado de consciência habitual que devo parecer um maníaco, enquanto brinco com a infinidade de sons absolutamente mágicos que podem ser tirados de qualquer coisa. Não sei direito o que tanto me fascina a respeito da música, não sei mesmo. É como uma abdução cerebral que me leva até onde eu quero, é como um livro que me faz ser quem eu quero, sei lá. Música é energia que se sente em todas as partes e que coloca sintonia e ritmo nas ondas do pensamento. Sou viciado nesse ritmo, em qualquer ritmo, com suas variações súbitas mas totalmente previsíveis, que me dão uma sensação de calma por conseguir entender o porquê daquilo ser como é. Me faz bem demais, cara. Quero ouvir todos os sons do universo e combiná-los numa melodia perfeita, numa canção que te leve a um delírio tão infinito quanto a variedade de barulhos, mas que acabe assim que a próxima começar. A música me deixa preso ao presente mesmo que me lembre do passado, e isso me faz sentir seguro e aconchegado numa colcha de retalhos que, mesmo sendo tecida por algo que não se vê, causa uma sensação de conforto absoluto.
17 de mai. de 2010
on mute
Pain turns back into pleasure
Worn off warms crawl back home
Morning sun, come and blind me
Admirable cruelty of unexpected light
Limbs cry for disattachment
Rest, in peace, in sound, unsafe
Brain shot off along with the night
A walking lack of life
Pure soul with no emotion to show
Pure gold far too cheaply sold
Pure cocaine yet I still feel sane
Have you ever been insane?
It’s like living for nothing
But forced to feel everything.
How could you not want it.
Worn off warms crawl back home
Morning sun, come and blind me
Admirable cruelty of unexpected light
Limbs cry for disattachment
Rest, in peace, in sound, unsafe
Brain shot off along with the night
A walking lack of life
Pure soul with no emotion to show
Pure gold far too cheaply sold
Pure cocaine yet I still feel sane
Have you ever been insane?
It’s like living for nothing
But forced to feel everything.
How could you not want it.
11 de mai. de 2010
musique
Ela acha que minha ligação com a música é algo estranhamente especial. Eu concordo.
É que eu procuro criar ligações especiais com o que faz sentido pra mim.
O que inclui ela.
É que eu procuro criar ligações especiais com o que faz sentido pra mim.
O que inclui ela.
diferença
Há dois tipos de leitores
Aqueles que lêem com o marcador de página em mãos
E os que o deixam em qualquer outro lugar.
A diferença?
Os que o tem em mãos já planejam fechar o livro
Os que o deixam de lado se permitem ler sem limites.
Aqueles que lêem com o marcador de página em mãos
E os que o deixam em qualquer outro lugar.
A diferença?
Os que o tem em mãos já planejam fechar o livro
Os que o deixam de lado se permitem ler sem limites.
8 de mai. de 2010
inútil
Escrever pra quê se não pro real?
Se não for, me machuca, me faz mortal.
Não consigo ser poeta fingidor
Então, escrever pra quê se não há dor?
Se não for, me machuca, me faz mortal.
Não consigo ser poeta fingidor
Então, escrever pra quê se não há dor?
28 de abr. de 2010
tempo livre
Desenvolver o pensamento, afastar a sobriedade
Restaurar os neurônios que perdi pra essa cidade
E como desgasta o esforço mental
Doze horas encarcerado no mesmo local
Ir pra casa é uma dessas coisas que não tem preço
Acender um do bom pra ver se me esqueço
De todas as inutilidades que disfarçadas de fatos
Se provam tão desnecessárias, quase mais que um infarto
Do meu pensamento, que se afasta do momento
Se aloja na noite fria, jogado ao relento
Duma cidade sem sentido, de um povo sem pátria
Minha versão de capital
Meu país tropical, abençoado por deus
Esquecido pelos líderes que disseram adeus
Ando na psicodelia, ponto de encontro do mundo
Dimensão aparte, eterno lapso de um segundo
Buraco na consciência, contemplo a existência
Me apresso, perco a paciência até que me lembro
Que a razão da minha presença está guardada na essência
De ser mil dentro de um, mas sou só um dentro de mil
Dos filhos deste solo que és mãe gentil
Outro moleque do Brasil
Criado pra sentir no couro, nunca ver o ouro
Seguir magro, firme e fraco, algo raramente novo
Dia a dia correria, toda hora um novo esporro
Tapa na cara do suposto futuro do meu povo.
Restaurar os neurônios que perdi pra essa cidade
E como desgasta o esforço mental
Doze horas encarcerado no mesmo local
Ir pra casa é uma dessas coisas que não tem preço
Acender um do bom pra ver se me esqueço
De todas as inutilidades que disfarçadas de fatos
Se provam tão desnecessárias, quase mais que um infarto
Do meu pensamento, que se afasta do momento
Se aloja na noite fria, jogado ao relento
Duma cidade sem sentido, de um povo sem pátria
Minha versão de capital
Meu país tropical, abençoado por deus
Esquecido pelos líderes que disseram adeus
Ando na psicodelia, ponto de encontro do mundo
Dimensão aparte, eterno lapso de um segundo
Buraco na consciência, contemplo a existência
Me apresso, perco a paciência até que me lembro
Que a razão da minha presença está guardada na essência
De ser mil dentro de um, mas sou só um dentro de mil
Dos filhos deste solo que és mãe gentil
Outro moleque do Brasil
Criado pra sentir no couro, nunca ver o ouro
Seguir magro, firme e fraco, algo raramente novo
Dia a dia correria, toda hora um novo esporro
Tapa na cara do suposto futuro do meu povo.
25 de abr. de 2010
teia sinestésica
Sentir teu beijo na teia melódica
Sentir tua alma nos extremos nervosos
Me fazer parte de ti
Te fazer parte de tudo
Me arranca de sono profundo
Me joga em viagem de ácido
Pauta sinestésica, falta de ar
Excesso de ar.
Sangue ácido, corpo além, estado aparte
Disritmia puramente melódica.
Tempo, contratempo, tempo
Compasso completo.
Me faz som, me desenha
Viro cor, viro onda
Sou tudo
Somos.
Sentir tua alma nos extremos nervosos
Me fazer parte de ti
Te fazer parte de tudo
Me arranca de sono profundo
Me joga em viagem de ácido
Pauta sinestésica, falta de ar
Excesso de ar.
Sangue ácido, corpo além, estado aparte
Disritmia puramente melódica.
Tempo, contratempo, tempo
Compasso completo.
Me faz som, me desenha
Viro cor, viro onda
Sou tudo
Somos.
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